59% preferem a marca que usa IA. 74% querem saber quando ela usa

Usar IA não afasta o consumidor brasileiro, mas ele quer saber quando acontece. Na pesquisa da Globo de agosto de 2026, 59% preferem uma marca que usa IA a outra parecida que não usa. Ao mesmo tempo, 74% querem ser avisados quando um anúncio usa IA, e 95% defendem que todo conteúdo gerado por IA seja identificado.
O que a Globo mediu
A pesquisa O impacto da IA nos hábitos de consumo do brasileiro foi feita pela Globo com a E&I Inteligência Setorial, com 1.000 entrevistas em agosto de 2026. Para quem cuida de comunicação, o contraste está entre a preferência (59% escolhem a marca que usa IA) e o pedido de aviso (74% querem ser informados nos anúncios). A identificação do conteúdo gerado por IA reúne quase todos: 95%.
Preferir a marca que usa IA e querer saber quando ela usa convivem sem contradição. O consumidor aceita a tecnologia e cobra transparência.

O que os dados não dizem
A pesquisa não mede o que acontece com a marca flagrada usando IA sem avisar. Qualquer número sobre isso seria chute. O que ela mostra é o pedido: quase todo mundo quer identificação. Na nossa leitura, avisar custa uma linha de texto, e o custo de ser descoberto é uma incógnita que não vale testar.
O que as plataformas já fazem
O Google orienta que, quando fizer sentido para o público, o site explique como o conteúdo foi criado, incluindo o papel da automação. Também pede revisão manual de tudo que a IA gera antes de publicar. O LinkedIn, desde 2024, rotula imagens geradas por IA com um selo no canto, de forma automática, pelo padrão C2PA. A matéria que consultamos não fala de rótulo para texto.
A direção é a mesma que o consumidor pediu: sinalizar.
Uma política simples de uso de IA
Esta é uma proposta nossa, não uma norma. Quatro regras cobrem a maior parte dos casos:
- Imagem, vídeo e voz gerados por IA: sempre sinalizar.
- Texto escrito pela IA e publicado sem edição relevante: sinalizar.
- Texto com rascunho de IA, revisado e assinado por uma pessoa: assinar com o nome de quem responde pelo conteúdo.
- Análise feita com IA sobre dados: citar a fonte do dado, e não a ferramenta.
Defina também quem aprova e onde a política fica publicada. Ela só vale se o time conhece e se o cliente consegue ler.
Exemplos de sinalização
- “Imagem criada com IA.”
- “Rascunho feito com IA, revisado e assinado por [nome].”
- “Análise feita com IA sobre dados do [fonte, ano].”
- “Voz sintetizada por IA.”
Linhas curtas, no fim do anúncio ou do post, ou na legenda da imagem. Sem pedido de desculpa e sem tom de alerta.
Para ver como a comunicação com IA se encaixa na rotina do marketing, leia sobre conteúdo com IA sem perder autenticidade e o papel do CMO na era da IA. A NorthStar monta esse fluxo na página de inteligência de marketing.
Perguntas frequentes
Preciso avisar que usei IA em um anúncio?
Não há regra única que valha para todos os casos. Mas 74% dos entrevistados da Globo (ago/2026) querem ser avisados quando um anúncio usa IA, e 95% defendem identificar conteúdo gerado por IA. Avisar é a escolha alinhada ao que o público pede.
Usar IA piora a imagem da marca?
Na pesquisa da Globo, 59% preferem uma marca que usa IA a uma semelhante que não usa. O dado mede preferência, e não mede reação a quem esconde o uso.
O Google penaliza texto feito com IA?
O Google aceita conteúdo feito com IA. O que ele trata como spam é produzir muitas páginas sem valor para o usuário. Recomenda revisão manual e, quando fizer sentido, explicar como o conteúdo foi criado.
O LinkedIn rotula conteúdo de IA?
Rotula imagens geradas por IA, pelo padrão C2PA, desde 2024. A matéria que consultamos não menciona rótulo para texto.
Fontes
- Globo Gente / E&I Inteligência Setorial. O impacto da IA nos hábitos de consumo do brasileiro, 09/10/2026. gente.globo.com
- Google Search Central. Using generative AI content on your website. developers.google.com
- Social Media Today. LinkedIn adds labels for AI-generated content, 2024. socialmediatoday.com

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